Me, myself and I
- Jul 8, 2020
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Updated: Jun 28, 2022
Não saberia achar um ponto de partida para essa conversa se não fosse me usando como ponta pé inicial, em uma roda de conversa entre amigos apareceu o assunto que mais entra em pauta na minha vida, mesmo eu querendo ou não.
“VOCÊ SABE SER FELIZ SOZINHA?”
Essa pergunta sempre rondou minha vida, pelo simples fato de passei grande parte dela emendando um relacionamento no outro. Quando questionada, sempre dizia que “era algo inevitável, que as coisas iam acontecendo e quando dava por mim já estava entrando novamente em um relacionamento”.
Mas não era assim, nunca foi assim.
Sempre tive medo de ficar sozinha, mas no momento eu não saberia dizer se essa é a palavra certa. No entanto, eu sabia que não queria dar o braço a torcer e sentir de fato como é a solidão da mulher, e ainda maior: a solidão da mulher negra.
Diariamente me pegava lendo algo na internet relacionado ao assunto e aquilo me chocava, eu estava ciente que toda minha ação aumentava ainda mais o sentimento que ia se alastrando dentro de mim. Não queria ficar sozinha pelo simples fato de não saber como agir só.

Algum dia no meio da busca por textos e livros que me motivassem a sair do fundo do poço me deparei com a seguinte frase da bell hooks
“Muitas mulheres negras sentem que em suas vidas existe pouco ou nenhum amor”
Que amor é esse que ela cita? Por que eu, como mulher negra, tenho que carregar esse sentimento? Será que me entrego à migalhas? Essa frase me atingiu, ao ponto de me colocar para pensar de uma maneira que nunca eu pensei que fosse acontecer. Demorou, mas finalmente caí em si.
Meu medo não era apenas ficar sozinha, e sim virar estatística de qualquer forma que fosse. Eu queria carregar aquele argumento de que “nunca aconteceu comigo” por pura vaidade e orgulho de sair por cima. Só que agindo dessa maneira, eu não percebi que estava perdendo uma das maiores oportunidades da minha vida: me conhecer.
Não tinha noção do quão maravilhoso é simplesmente poder me apreciar e não necessitar de alguém para isso. De me fazer feliz e esquecer essa ideia de que preciso de alguém para que isso aconteça.
Passei por um término que precisou ser doloroso para me localizar no mundo, passei por um período que foi necessário conversar com Deus e a mulher que me guia – todas as noites – para finalmente conseguir ter o único diálogo que eu evitava: comigo mesma.
Quando você consegue acalmar sua alma e percebe que as coisas são totalmente diferentes do que carrega consigo, finalmente se desprende de achismos e passa a se aceitar, naturalmente as coisas começam a fluir.
Se você como eu (ou qualquer pessoa que já passou por isso) não sabe qual saída tomar, aqui vai uma dica fundamental: faça coisas novas. Levamos conosco jeitos, gostos e manias de relacionamentos antigos. Para nossa vida lembranças são fundamentais (eu inclusive sou aquela pessoa que possui uma caixa de recordações), é importante valorizar momentos que nos fizeram bem.
Só que agora precisamos começar a nos colocar em primeiro lugar, nos tornar totalmente protagonista das nossas vontades e realizações.

A primeira coisa que fiz foi buscar novos gostos, novas atividades e meios que me mostrassem que o foco deveria ser outro. Tracei novas metas, conheci novas artes, manias e histórias. Em pouco tempo me vi realizada por fazer o que todo mundo deveria saber, mas eu não conseguia.
Sei que vai chegar aquele momento que você dizer: eu não quero saber de ninguém, quero apenas aproveitar minha companhia. Então, já vou dando um spoiler: É COMPLICADO!
Tente ao máximo não se jogar de cabeça na primeira relação que aparecer, você ainda está vulnerável e precisa do seu tempo. Coloque na sua cabeça que não é com um novo amor que se cura o outro. Passando por todas essas fases e descobertas, chego ao final da nossa conversa. Hoje, carrego comigo uma conclusão: você percebe que sabe ser feliz sozinha quando o seu silêncio te traz paz. Aproveite esse tempo para cuidar de você, ficar bonita para você, sorrir para você, fazer planos e ainda melhor, fique feliz por você. E se em algum momento alguém quiser partilhar disso contigo, tudo bem… Se não quiser, sobra mais para você!




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